domingo, 19 de junho de 2011

Carta de apoio ao estudante Enver José

NOTA DE SOLIDARIEDADE AO ESTUDANTE DE GEOGRAFIA ENVER JOSÉ

O Coletivo contra-espaço, grupo que se organiza politicamente no curso
de Geografia da Ufal torna público sua solidariedade ao camarada Enver
José, o qual está sendo injustamente acusado de tentativa de
homicídio, por participar de manifestações que contestavam o aumento
abusivo das passagens e o monopólio das linhas urbanas por empresas do
transporte público na Paraíba.
Contra a criminalização do movimento estudantil!
Contra a criminalização dos movimentos sociais!
Pelo imediato arquivamento do processo!
Nenhuma repressão aos que lutam por seus direitos!


Nota do movimento estudantil da Paraíba:
LUTAR NÃO É CRIME!
NOTA DE SOLIDARIEDADE À ENVER JOSÉ, UM LUTADOR DO POVO!
Desde o final de dezembro de 2010 ocorreram várias mobilizações
populares em todo Brasil contra o aumento abusivo do preço da passagem
e a má qualidade dos serviços de transporte coletivo, pressionando nas
ruas, os governos e empresários por um modelo justo de mobilidade
urbana que atenda às necessidades dos trabalhadores e trabalhadoras
brasileiras. A organização e mobilização popular sempre se fizeram
necessárias para que qualquer transformação social pudesse ocorrer
neste país. Esse é o real papel que os movimentos sociais tem
cumprido: reivindicar em todos os espaços públicos, nas ruas e praças,
por melhores condições de vida, de trabalho, saúde e educação da
população.
O militante social do Movimento Estudantil da Universidade Federal da
Paraíba (Movimento Levante e Diretório Central dos Estudantes – DCE –
da UFPB), Enver José Lopes Cabral, está sendo processado por
participar das manifestações, sendo injustamente acusado de "tentativa
de homicídio por arremessar um artefato em um ônibus com efeitos
análogos ao engenho de uma dinamite". Este fato se caracteriza como
perseguição política, que os militantes sociais sofrem por lutar em
defesa dos interesses junto a população. Criminalizar um(a) lutador(a)
do povo constitui-se em um ato de extrema repressão, sendo este
operado por empresários que lucram à custa do aumento arbitrário da
passagem de ônibus sem prestar contas à população de João Pessoa. E o
que torna ainda mais revoltante é que o Ministério Público Estadual,
que era para está a serviço do povo, foi o responsável pela ação
promovida a pedido dos empresários de ônibus.
Toda a população de João Pessoa acompanhou as mobilizações pacíficas
que ocorreram com o aumento da tarifa do transporte coletivo. As
manifestações sempre foram divulgadas nos meios de comunicação, e
atraíram com criatividade a atenção dos trabalhadores e trabalhadoras
e dos estudantes cansados pela inexistência de um transporte
verdadeiramente público. Os panfletos distribuídos nas ruas
contribuíram no diálogo com a população acerca dos fatos, evidenciando
a real possibilidade da conquista do direito por um transporte mais
digno. E com as palavras de ordem ("Mãos ao alto, 2,10 é um assalto!")
foi nítido a identificação da população com a causa justa dessa LUTA.
Contra a exploração das elites dominantes que criminalizam através do
aparato repressor todos e todas que ousam com criatividade e
organização do povo transformar a realidade em que vivemos! Os
empresários do transporte são os verdadeiros criminosos, que exploram
a população todos os dias cobrando uma alta tarifa, fazendo com que o
povo perca muito tempo esperando por um ônibus que ainda chega
superlotado. Não vamos nos calar diante dessa injustiça e declarada
perseguição política aos movimentos sociais que buscam uma
transformação social!
Manifestamos nosso total repúdio à criminalização dos movimentos
sociais forjado pelos empresários do transporte coletivo em João
Pessoa-PB.
JUVENTUDE QUE OUSA LUTAR: CONSTRÓI O PODER POPULAR!
POR JUSTIÇA SOCIAL, LUTAR POR NOSSOS DIREITOS NÃO É CRIME!